28 de fevereiro de 2011

Arte em Barriga de Gesso

Modelo: Fabibi e Analis na barriga

Contato: Doula Zezé - Fone: 51.9123.6136

Laura Gutman - Porque é tão árduo criar um bebê?


Hoje arrumei um tempinho pra vir atualizar o blog. Permaneço em êxtase com o livro da Laura Gutman e a postagem de hoje é um trecho dele. A vontade que dá é copiá-lo inteiro mas sinceramente, vale muito a pena tê-lo em mãos para ler e re-ler quantas vezes quiser! Aproveitem essas sábias palavras, internalize-as e reflitam sobre sua própria sombra.

 

"Todas as mães são capazes, desde que tenham um mínimo de apoio emocional, de amamentar, ninar, higienizar um bebê, de proporcionar cuidados físicos necessários à sua sobrevivência. São treinadas para esta tarefa brincando com bonecas durante toda a infância. A dificuldade aparece quando é necessário reconhecer, no corpo físico do bebê, o surgimento da alma da mãe, em toda sua dimensão. Devem admitir sua fragilidade, como "mãe-bebês". Cuidar-se como tal. Respeitar-se com essas novas qualidades. Ser paciente nesta fase tão especial e não exigir de si um rendimento igual ao habitual. Abrir-se à sensibilidade que é aguçada e à percepção das sensações que são vividas com um coração imenso e um corpo que elas, mães, sentem pequeno porque são, ao mesmo tempo, bebê e pessoa adulta. É como ter o coração aberto, com suas misérias, alegrias, inseguranças, com todas as situações que precisam ser resolvidas, com o que lhes falta compreender. É uma carta de apresentação frágil: isto é o que sou no fundo de minha alma; sou este bebê que chora. Poderíamos considerar uma vantagem exclusiva das mulheres a possibilidade de desdobrar o corpo físico e espiritual, permitindo que as dificuldades ou as dores pessoais se manifestem com absoluta clareza. O bebê sente como se fossem seus todos os sentidos da mãe, sobretudo aqueles dos quais ela não tem consciência. A maioria das mulheres não aproveita essa vantagem de ter a alma exposta; é arriscado encarar a própria verdade. No entanto, este é um caminho que inevitavelmente elas percorrerão, embora seja pessoal a decisão de fazê-lo com maior ou menos consciência. Por isso, ao tentar entender o processo de compreensão dos bebês e das crianças muito pequenas, é indispensável não esquecer que o ser com quem tentamos nos comunicar é, ao mesmo tempo, a mãe que o habita. De fato, as pessoas que trabalham com crianças pequenas deveriam encontrar uma maneira de agir em união com a mãe. Sem a informação pessoal da mãe, sobretudo a informação a que se deve recorrer para que venham à tona, as manifestações das crianças carecem de sentido. Qualquer expressão incômoda do bebê é apenas a melhor linguagem que encontrou para se comunicar.Não é o que acontece; é apenas um modo viável de se expressar .Quando nossa alma é exposta no corpo do bebê, é possível ver mais claramente as crises que ficam guardadas, os sentimentos que não nos atrevemos a reconhecer, os nós que continuam enredando nossa vida, o que está pendente de resolução, o que descartamos, o que é inoportuno. Às vezes as crianças expõem as crises de maneira tão contundente que só assim tomamos consciência da importância ou da dimensão de nossos sentimentos. Porque tendemos a não lhes dar maior atenção, a considerá-los banais e a relegá-los à nossa sombra.Criar bebês é muito árduo porque, assim como a criança, para ser, entra em fusão emocional com a mãe, esta, por sua vez, entra em fusão emocional com o filho para ser. A mãe passa por um processo análogo de união emocional. Ou seja, durante os dois primeiros anos, é fundamentalmente uma "mãe-bebê". As mulheres puérperas têm a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referência conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional. Não estão em condições de tomar decisões a respeito da vida doméstica. Vivem como se estivessem fora do mundo; vivem, exatamente, dentro do "mundo-bebê” .E é indispensável que seja assim. A fusão emocional da mãe com o filho é o que garante que a mulher estará em condições emocionais de se desdobrar para que a cria sobreviva. O desdobramento da alma feminina ou a sua fusão emocional com a alma do bebê é indefectível, mesmo que este processo seja inconsciente. A decisão de trazê-lo à consciência é pessoal. Vale a pena esclarecer que este processo nos surpreende porque não o esperávamos, e em geral costumamos rotular de mil maneiras as sensações incongruentes das mães e as queixas indecifráveis dos bebês. Em muitos casos, são diagnosticadas "depressões pós-parto", quando a única coisa que acontece é um brutal encontro da mãe com a própria sombra."
por Laura Gutman em "A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", p: 24-26

17 de janeiro de 2011

Janete Balaskas em Curitiba


Fonte: - http://www.diariodeumadoula.com.br/

Curitiba recebe Janet Balaskas, autora do livro Parto Ativo, pela primeira vez no Brasil!

Ela é autora do livro Parto Ativo - Guia Prático para o Parto Natural, que tem auxiliado milhares de mulheres na busca por realizarem seu desejo de parir! Mas não é simplesmente parir, é parir de forma cosciente, ativa, empoderada, prazeirosa!

Temos três meses para nos programar, nos organizar e estarmos presentes em tão maravilhoso encontro!

Vejam a programação:
- Dia 12 de abril: palestra aberta ao público em geral
- De 15 a 17 de abril: workshop para profissionais sobre o acompanhamento do Parto Ativo
- Dia 29 de abril: sessão especial para casais gestantes

Vejam a divulgação completa do evento no blog do Espaço AOBÀ:


Janet Balaskas é o autora do pioneiro e influente livro "O Parto Ativo" publicado pela primeira vez no Reino Unido em 1981 (no Brasil, editora Ground publicado em 1993) e fundadora do movimento mundial de mesmo nome. Ela também é a pioneira do Yoga para a gravidez e autora do livro "Preparando para o nascimento com o Yoga”. Sua obra fala de mulheres que têm consciência da criação de um espaço sagrado para o parto. Ela estende a mão para o parto das mulheres com a mensagem de que seus corpos são projetados para conceber um bebê, alimentá-lo para o desenvolvimento, e o nascimento instintivamente.

A visão dela de nascimento é um desafio para toda a comunidade obstétrica. Ela refuta a suposição comum de que o parto normal pode ser conduzido em um ambiente de cuidados intensivos e fornece ferramentas práticas eficazes para a mulher moderna redescobrir o poder do instinto.

Janet é uma voz importante no parto. Seu trabalho tem inspirado uma revolução global "de mulher para mulher" e o renascimento de práticas mais humanas no parto. Ela leciona e ensina em todo o mundo e estará em breve no Brasil pela primeira vez.

Janet Balaskas possui um centro de atividades em Londres, na Inglaterra. Para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre seu trabalho, acessem o site:

12 de dezembro de 2009

Nascimentos de novembro

Nasceu José Sebastião - Filho da Shana e do José - dia 26/11/2009 PNH
Nasceu o Felipe - Filho da Fernanda  e do REni e mano do João Pedro - dia 27/11/2009 VABC - Vaginal Birth After Cesarean - parto vaginal após cesárea 

22 de novembro de 2009

Nascimentos do mês de outubro

Nasceu Guilherme filho da Sandra e do Cezar, Cesárea - 09/10/2009
Nasceu Érico filho da Eliana e do Marco irmão do Bernardo -Parto Domiciliar  em Lageado/RS- 22/10/2009
Nasceu Khenan filho da Alicia e do Fábio - Parto Domiciliar - 25/10/2009

30 de outubro de 2009

Você está cansada de acordar para amamentar?



Você está cansada de acordar para amamentar?

" Querida mamãe,

Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você veio. Ainda bem!



Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo, mas não tente negar: você estava com pressa para ir dormir outra vez.Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo tão calmo, um silêncio, nós dois juntinhos.
Estava legal e eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos, meia hora.
Mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai. Eu não queria o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das contas acordei a casa inteira cinco vezes. De manhã nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo.
Imagina, você chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo.
Os adultos tem hora certa para tudo mas eu ainda não entendi essas de relógio e tarefas estafantes que as pessoas grandes precisam fazer. Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus três meses ainda não descobri direito que você é uma pessoa e eu sou outra.
Um dia, eu vou sair por aí, vou saber telefonar e posso lhe deixar doida para saber o que ando fazendo e então você vai entender como me sinto agora. Mas não precisamos dessa guerra mamãe. Até lá já poderemos nos entender inclusive através das palavras.
Sinto a angústia da separação, pois terminei de viver uma das grandes. Você também, mas vive tudo isso como adulta consciente. Eu ainda vivo no inconsciente.
Por enquanto nossa comunicação direta fica restrita aos nossos sentimentos inconscientes. Eu não sei nada, tudo é novo para mim. Você pode até achar que não sabe nada e que tudo é novo para você, mas eu vou aprender o que você me ensinar através da sua sensibilidade, dos seus sentimentos em relação a mim.
Sabe, mamãe, se você quer um conselho, vou dar: quando eu chorar à noite, não salta logo para meu berço desesperada, como se o mundo fosse acabar. Espere um pouquinho, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar. Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência, pois nós, bebês, somos muito sensíveis aos sentimentos dos adultos, especialmente os da mamãe.
Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar até o meu segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas bem molenguinhas, aí sim pode me colocar de volta no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez.
Conforme você for desenvolvendo sua paciência mamãe, eu estarei desenvolvendo minha tranqüilidade e nós não teremos mais noites infernais; apenas noites de mamãe/bebê, que um dia passam, como tudo na vida.
Sempre seu,
Gu-gu dá-dá! "
Texto de Cláudia Rodrigues